Será que Deus age assim da maneira como muitas pessoas crêem, ou é aquilo que de fato muitas pessoas acreditam? A mim parece que Deus se dá a conhecer dentro dos limites de cada um. Ele é dessa forma multifacetado, apresentando-se a cada um dentro do seu nível de entendimento. Só dessa forma é possível entender porque Deus se manifesta a pessoas tão distintas de maneiras tão distintas, e não é possível dizer que essas manifestações sejam fruto de pura imaginação ou tenham mais ou menos valor se comparadas entre si. Elas ocorrem em níveis diferentes, tão somente.
Alguns (possivelmente a maioria), ao pensar em Deus, logo o vêem como um senhor já de idade, ou coisa parecida. Não me admira essa crença, tendo em vista que se fosse dado aos bois revelarem qual é o seu Deus, provavelmente esse Deus seria parecido com eles. A comparação não é minha, é de um antigo filósofo pré-socrático, mas acho que ela ainda é válida para os dias atuais. Outras pessoas, que não acreditam nesse Deus antropomórfico, crêem haver alguma forma de energia superior que governa esse mundo. Eu particularmente acho que Deus é difícil de definir, e prefiro não restringir essa entidade com adjetivos. Até acho que a melhor definição para Deus ainda é a Bíblica: Deus é aquilo que é. E ainda arrisco acrescentar: o que Ele realmente é não é possível determinar pela nossa limitada razão.
Vejo em várias denominações religiosas, em vários grupos religiosos, mesmo naqueles que se dizem serem os únicos que serão salvos - ou o que estão mais no caminho da salvação do que outros - a manifestação de Deus. Isso se dá porque cada pessoa tem a capacidade consigo mesma de se dirigir a Deus e relacionar-se com Ele ao seu modo. É claro que alguns, de alguma forma, estão mais aptos a ouvir a voz de Deus por meio de sua consciência, pois é ali no mais interior de si mesmo que se pode conectar com essa realidade que transcende a própria pessoa. Essas pessoas de alguma forma têm uma sensibilidade mais aguçada para essa relação com Deus, ou mesmo com “entidades intermediárias” entre elas e Deus, segundo elas mesmas.
O importante é levar em consideração que Deus, a cada um, estará revestido de uma imagem cultivada em algum momento, ou fruto de uma experiência pessoal cujas características não podem ser genericamente definidas. Alguns entram em contato com Deus por meio de sinais na sua vida, outros por meio de sonhos, outros com alguma forte intuição que as conduzem para uma determinada decisão ou atitude. Dizer que Deus, Jesus ou Maria assumem determinadas formas em diferentes manifestações dependerá, pois, de que imagem foi previamente criada nas mentes das pessoas, seja pela cultura da sua região seja pelo apreço que se teve desde a infância a determinadas crenças.
Essas manifestações, em si, entretanto, não são a imagem da realidade do que é Deus para o mundo. As especulações feitas sobre o limite da compreensão da realidade pelo cérebro humano - especialmente as lançadas pelos questionamentos suscitados por estudos relacionados à física quântica - têm tido uma grande relevância para aqueles que concordam com a possibilidade de que o homem de fato tem sua compreensão da realidade limitada. Esse limite não é ruim em si: ele se refere à limitação de nosso cérebro em lidar com as 4 dimensões existentes, sendo que possivelmente outras 6 ou 7 se perderam com a atual configuração dimensional na qual nos inserimos (segundo Deepak Chopra, em seu livro “Como conhecer a Deus”).
Desse modo, não é de se admirar que muitas tentativas de explicação da realidade e outras crenças acabam sendo questionadas profundamente, podendo até ser invalidadas. Por exemplo: crer em vida após a morte ou até mesmo em reencarnação é ignorar que as leis físicas na qual se inclui o tempo podem não valer para uma realidade na qual não exista matéria. Pode ser que realidades paralelas co-existam, e que lembranças ou tendências não precisem necessariamente ser remetidas a experiências de vida anteriores à nossa.
Tudo isso que afirmo são hipóteses que lanço. Não sou perito em física quântica e não creio que precise ser para citá-la como uma área do conhecimento interessante a ser analisada. O que acho interessante é a conclusão que tiro toda vez que entro em contato com essa área do conhecimento: nossa percepção da realidade é limitada, e portanto não é sensato tirar conclusões precipitadas sobre o mundo físico e espiritual sendo que muito provavelmente cairemos em erros. Seria como se um extra-terrestre (se é que eles existem e são tal e qual crêem muitos) caísse com sua nave no deserto do Saara de dia e por uma simples e rápida observação relatasse aos seus conterrâneos - ao voltar ao seu planeta - que a Terra é um planeta seco, quente e cheio de areia, impróprio para a vida. Sua conclusão não estaria errada, mas muito limitada, pois nosso planeta não é só isso, bem sabemos. (Essa comparação não é minha, já a li em algum lugar, mas me parece bem propícia para exemplificar o que quero).
Há um documentário muito interessante que trabalha com várias noções da física quântica e sobre possibilidades de realidade: “Quem somos nós”. Em um dado momento há uma “brincadeirinha”, que é uma conversa entre um certo super herói e uma bolinha, que fala sobre ver a realidade por cima, com outros olhos, aceitando que se estava limitado. Aqui algo interessante começa a me chamar a atenção: eu poderia tornar-me um perito em física quântica, e mesmo assim estaria cobrindo apenas uma necessidade da compreensão da realidade: a satisfação cerebral. E mesmo que entendesse, poderia não estar experimentando experiências tão distintas que podem ser oriundas da minha relação com a transcendência, com o que está além de mim.
Tudo isso ocorre porque o meu eu-cerebral é uma das instâncias da minha personalidade, e não a única. Entender alguma coisa não é sinônimo de experimentá-la. Posso entender como funcionam os músculos de um nadador na hora do exercício do nado, e, no entanto posso nunca ter nadado. Posso ter aprendido desde pequeno a nadar, e da mesma forma nunca ter aprendido sobre o funcionamento dos meus músculos por uma perspectiva teórica. Não é nem por meio de minha razão e nem por meio da experiência tão somente que apreendo a realidade; essa apreensão tampouco se dá por meio do equilíbrio entre o saber e o experimentar. Conhecer alguma coisa e apreendê-la ocorre por meio de uma experiência fenomenológica que vai além do meu entendimento.
É no ponto da relação com Deus que quero chegar quando trago a questão de o conhecimento de Deus se dar pela razão ou por uma emoção, experiência sensível ou coisa parecida. Defende-se no catolicismo que conhecer a Deus se dá por meio da razão, pois basta crer e pensar para se chegar à conclusão de que Deus existe. Não obstante, tem-se em algumas denominações do protestantismo e no neo-pentecostalismo, principalmente, uma maneira diferente de relacionar-se com Deus: a emoção impera. Não basta saber que Deus existe, é preciso de uma experiência sensível com Ele, precisa-se de uma conversão e de sensações internas de satisfação ou de Deus agindo em meu coração (isso não é generalizável, pois os evangélicos em geral possuem muito mais conhecimento teórico do que os católicos, especialmente no que se refere à Bíblia).
Não concordo com nenhuma dessas duas alternativas. Crer por meio da razão não basta para que eu me torne melhor por causa dessa crença. Poderia encher a minha cabeça com teorias teológicas e mesmo assim não curar daquilo que me vai menos bem. Da mesma forma poderia me envolver com a crença de que para relacionar-me com Deus é preciso sentir muito, é necessário entrar em alguma espécie de êxtase ou gozo espiritual, muitas vezes atribuídos ao “Espírito Santo”, ou louvar, e orar, e me entregar de maneira submissa a um Deus que já fez de tudo por mim. Creio que conhecer a Deus se dá de uma maneira mais holística. Sou um todo, e como tal não posso querer entender, compreender ou relacionar-me com um Deus em partes. É necessário, para relacionar-se com Deus, que haja uma entrega, mas essa entrega não se faz por partes: é necessário que eu me considere como um todo.
Mas há alguma receita para isso? Há quem ache que sim. Eu mesmo não sei como. Acho até que há diversas maneiras de se relacionar com Deus, e isso de fato vai depender dos potenciais e limites de cada um, da mesma forma que vai depender de sua afiliação religiosa. Você já descobriu a sua maneira de se relacionar com Ele?
Deus é o que é, e não o que queremos que ele seja
Postado por Adilson Zabiela quarta-feira, 8 de abril de 2009 às 23:22
Com Ana Luiza, minha formadora de PRH
Postado por Adilson Zabiela domingo, 29 de março de 2009 às 23:18
Não se chega ao conhecimento da verdade só pela razão
Postado por Adilson Zabiela às 23:13
Eu poderia ser dos mais entendidos sobre teologia ou sobre a Bíblia, poderia conhecer todas as leituras e escrituras relacionadas a assuntos teológicos e sobre a moral cristã, e até mesmo ser devoto de alguma espécie de santidade, mas nada disso me faria melhor se eu não estivesse vivendo algum potencial meu muito profundo ao me relacionar com essas realidades. Várias religiões têm os seus santos, e eles não são mais ou menos santos por professarem essa ou aquela crença: o ser santo não está relacionado com o quanto se aceita Jesus Cristo como Salvador; para tal, eu precisaria admitir que existe um sistema de pecado e reparação no qual eu preciso de salvação. Ser santo é viver-se e existir com tanta propriedade e abundância que se alcança, em vida, graças e propósitos tão grandes quanto os de pessoas tidas como grandes santos, reconhecidos no mundo inteiro pela sua relação com a transcendência. Ser santo é render-se ao Cristo interior, ou seja, ser e viver o melhor de si, o melhor de seus potenciais.
Quando digo “o melhor de si” parto do princípio de que o que existe de mais profundo em mim está conectado com uma essência e que essa essência é boa. Há os que vão contrapor-se a essa idéia, possivelmente afirmado que essa é uma visão muito ingênua ou que bebe na filosofia de Rousseau, por exemplo. Crer nessa essência, entretanto, não está relacionado com nenhuma teoria do tipo “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe”, e que por isso o ser humano teria o seu lado ruim. Há outros que, para contrapor-se a essa idéia, talvez sintam-se mais seguros em trazer à baila a teoria freudiana de que nosso inconsciente é uma caixa preta e que há muitas coisas misteriosas lá, muitas das quais provavelmente muito desconhecidas por nós mesmos, e até sombrias; ou até mesmo conteúdos psicológicos que podem nos levar a reações inesperadas frente à certas circunstâncias. Seja qual for o ponto de vista de partida, o meu princípio é mais do que uma crença ou teoria adotada: é resultado de experiência comigo mesmo e com outras pessoas, por meio de uma psico-pedagogia que me colocou frente a essa leitura mais ajustada sobre o ser humano: o PRH (Personalidade e Relações Humanas – www.prh-international.org).
Sempre tive uma sensação de “estranhamento” quando o assunto era “aceitar Jesus Cristo como único salvador”, ou aderir a qualquer tipo de prática religiosa que se tornasse necessariamente um hábito que me remetesse a algo fora de mim, como por exemplo: rezar um terço, orar para que um santo intercedesse por mim, ou ter que simplesmente me colocar de forma passiva frente a toda uma parafernália de crenças que nada tocavam dentro de mim, ou muito pouco. Não que eu considere essas e outras práticas como absurdas, e tampouco acho que quem gosta de praticá-las deveria parar; no meu caso, eu apenas sentia que existia algo de muito mais profundo a ser “cavocado”, e que havia um conteúdo bem mais denso a ser trabalhado em mim, e que não estava relacionado a nenhuma prática ou ritual que me colocasse à parte de todo um processo, senão que trabalhasse justamente com aquilo que eu tenho de mais valioso em mim: a minha capacidade de me sentir como parte de um todo, e não como um simples pecador ou criatura insignificante frente a uma divindade qualquer que fosse.
Ouvi muitas vezes uma afirmação que considero totalmente sem fundamento, ou simplesmente deslocada de sentido para mim: a afirmação de que “Jesus me ama”. Ora, não duvido de forma alguma que Jesus viveu a plenitude do amor no seu ser. Nem por isso acho que o amor de Jesus pela humanidade deveria ser o fundamento de qualquer crença ou esperança. Essa frase me parece ou ingênua ou apelativa. Pelo menos a mim, nunca senti que Deus ou Jesus não me tivessem amado, e mesmo que eu somente usasse a lógica tenho certeza que eles me amariam ou amam, dada a bondade e amor que emana dessas entidades. Para que essa afirmativa fizesse algum sentido para mim creio que eu precisaria estar necessitado de algum tipo de reconhecimento afetivo, ou crer e sentir que se não fosse pelo amor dessas pessoas - a pessoa de Jesus e a pessoa de Deus - eu estaria perdido.
Tudo muda quando se muda o ponto de partida e o foco. Eu arriscaria dizer que existem níveis diferentes de relacionamento com a transcendência de acordo com o estágio de amadurecimento espiritual em que as pessoas se encontram. Não creio que existam tantos deuses quanto os que as pessoas criam em suas mentes, senão estaria baseado no princípio que o mundo é o que a mente cria, e eu acho esse argumento um tanto quanto simplista. Creio, entretanto, que existem diferentes capacidades de se apreender a realidade do mundo, e que isso varia muito de pessoa para pessoa.
Não escrevo para converter mentes: creio que cada um merece estar no seu estágio de percepção e apreensão da realidade. Escrevo o que escrevo porque assim vejo o mundo e as coisas, e na expectativa de que alguns despertem para ver o que eu vejo, e que de repente consigamos, por meio do crescimento tanto intelectual quanto espiritual, ver mais profundamente a realidade, não por meio de máscaras que a disfarçam, mas no mais profundo possível.
Não sou ateu, antes que muitos me qualifiquem como tal. Tampouco sinto estar (como alguns podem achar), sob influência de qualquer entidade maligna ou “Satanás”, como alguns gostam de denominar o comportamento daqueles que questionam a realidade e inclusive as práticas do cristianismo. Apenas acho que precisamos redefinir e atualizar alguns conceitos frente ao mundo, o homem e a Deus. E para conhecermos a verdade sobre o mundo precisamos mais do que pensar: precisamos aprender a interagir com o mundo de outras maneiras? Como? Também estou tentando descobrir...
Até agora descobri que há um silêncio que precisamos encontrar dentro de nós: é ali que está o que procuramos. Não é na bagunça do pensamento, mas parece ser no silêncio da contemplação que está a resposta para dirimir nossas dúvidas... é para esse lugar que aponta minha intuição...
Des-faço
Postado por Adilson Zabiela sábado, 28 de março de 2009 às 16:22
Do mesmo dia que a anterior.
Desregro, desnudo, me faço inútil
E como se amasse eu sinto que vivo
Que faço, que vejo, que como e cheiro
E chego a pensar que sou mais humano.
Ao menos eu quero, na aurora da vida
Retratos, relatos, relapsamente
Deixar tão somente por obra do acaso
Que rege e que causa a vida efêmera.
Não toco, não sinto o que a alma deseja
Meus olhos não vêem o que eu procuro
Jejuo, maltrato-me, na esperança
De encontrar minha parte “inconnu”.
Se escrevo, se choro, se tento e se falo
Se os versos que ponho em grafite e papel
Chegarem a dizer o que sente minh’alma
Então aí tenho o que eu sempre quis:
Em nada dizer, em só existir
Compraz-se meu ser em manifestar-se.
A vida em stand-by
Postado por Adilson Zabiela às 16:05
Alguém já viu poesia com nota de rodapé? Pois é, essa aqui tem... (15/10/2003)
Levo a vida em stand-by
Às vezes me ligo e me toco
De que a vida, “pulchra vita”
É um esperar pelo amanhã.
Horas eu passo, a não viver-me
Quando percebo que não estou no agora
Pois sou levado pela esperança
Grandiosa e única herança de Pandora.
Não vivo em partes, pois quero o todo.
E não me divido cartesianamente (1) .
Misturo o ontem, o hoje e o devir
E crio outro tempo paralelamente.
Quem me dera viver como os alcoólatras anônimos (2) . Às vezes pareço adiar a felicidade como o dono de um bar que se defende dos inadimplentes com a plaqueta que diz: “Fiado só amanhã”.
1 - Digo que descarto Descartes quando não consigo viver cada dia por si só, cada parte da vida exaustivamente.
2 - Eu diria: “Só por hoje serei feliz”, como fazem aqueles que dizem a si mesmos: “Só por hoje não vou beber”.
Indiferença
Postado por Adilson Zabiela às 14:12
Acho que eu estava um pouco revoltado nessa poesia... data de 2003.
Me pisa, que eu te escrevo
Em versos que não te merecem
Palavras que te odeiam
Por te amar meu coração.
E finge que não me enxerga
Encena essa cena trágica
De amor que não é amado
Me deixa nessa solidão.
Sozinho eu te tenho em versos
Ao menos assim me apodero
De um amor que eu já não espero
Pois me fez sofrer sem razão.
Ah, se eu pudesse fazer
Você se sentir como estou
Ao certo iria sofrer
Por mim não, outro amor.
Ou então que a mim amasse
Sofresse enfim de paixão
E eu te ignorasse
Trocasse um sim pelo não.
Amor, eu queria ver
O teu sofrimento em vão
Por uma alma fingida
Que te ama, mas que diz NÃO!
Arquivo morto
Postado por Adilson Zabiela às 13:56
Quando escrevi essa poesia eu devia ter uns 16 ou 17 anos. Coisa de piá que quer fazer graça... Eu era o menino da foto acima. Se duvidar o que carrego nas mãos é uma poesia... he he he... Mesmo com uma ou outra coisa estranha resolvi deixar tal qual guardo nos meus "papirus". Essa aí me parece uma colcha de retalhos!
Sentado à beira do mar
Sinto-me parte das ondas
Só não posso me confundir
Com elas
Pra não morrer afogado.
Se é o coração que ama
A paixão não está latente
Vive batendo mais forte
Pra acordar quem está amando.
No poço de minhas dúvidas
Debruço-me demasiado
Pra tirar um pouco d'água
Se tiver, bem lá no fundo.
Mas o balde está furado
E a roldana enferrujada
Hei de arrumá-los
Mas quando?
Quando a vida desperta
Acorda também quem vive.
A sintaxe do amor
Postado por Adilson Zabiela às 11:39
“Te amo, se me amares”
“Te amo, porque és tudo pra mim”
“Te amo, porque me completas”
Chega!
Não quero amor condicional
Não quero amor por conseqüência
Não quero amor de complemento!
Não quero ser objeto
Tampouco acho que o amor precise de argumentos!
Não quero o amar
Quero o amor, que é impessoal.
Quero o amor
Que não seleciona
O que gosta ou deixa de gostar
Quero o amor verdadeiro
Que seja determinador.
Não quero o amar
Que no paradigma
Pode selecionar qualquer argumento
Transformando-o em objetos.
Quero o amor
Como categoria única
Inominável
Mas que se chame amor.
O problema da salvação
Postado por Adilson Zabiela às 11:07
Por que o homem precisa de salvação? De onde vem, possivelmente, a idéia de que precisamos ser salvos? Se essa idéia existe ao homem, é porque provavelmente em algum momento ele passou a crer que estava ou estaria perdido. A idéia de estar e sentir-se perdido vem de uma moral construída e apoiada no medo e na culpa. Vemos já no livro do Gênesis no antigo testamento o quanto o homem estava impregnado do sentimento de culpa, tanto que uma história de expulsão do paraíso foi criada. Assim creio porque uma história que mostra a presença de um Deus e de uma criação combina totalmente com uma concepção mítica de mundo. Se algum dia eu me convencer do contrário e achar que de fato a bíblia contém acontecimentos históricos em essência, aí será outro dia...
O Gênesis é, aliás, o supra-sumo da prova de que o homem antigo precisava explicar a sua existência na terra e os fatos dos quais ele não tinha entendimento. As noções de espaço, tempo, completude, finitude, eram ainda limitadas, e só poderiam levar o homem a concepções limitadas e explicações míticas sobre o mundo que o rodeava. Ao desconhecer os fenômenos da natureza o homem criava as mais variadas explicações sobre tudo o que acontecia: precisava haver responsáveis externos a cada ação da natureza, fosse ela a chuva, o trovão, as enchentes, a seca, enfim. Não à toa com o tempo o homem passou a crer em vários deuses que eram responsáveis por todos os acontecimentos que os homens não explicavam. A idéia de Deus único - aliás não universal até hoje - embora assim queiram as três principais religiões monoteístas no mundo ( a saber, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo) surgiu provavelmente pela tentativa do homem em criar um consenso e estabelecer limites de poder. A crença religiosa unificada facilitou durante muito tempo o estabelecimento e controle do poder, e cobrar que determinadas pessoas acreditassem em determinada doutrina sempre foi facilitadora para que reinasse, mesmo que pretensa, uma paz dentro de determinado ambiente. Já era assim entre os povos antigos relatados por Fustel de Coulanges no seu livro “A Cidade Antiga”. Quando do evento do casamento, a noiva tinha que sair da residência do pai e abandonar o “louvor” aos lares (deuses) de sua casa, pois precisava começar a adorar os lares de seu marido. Não parece pois que a idéia de monoteísmo está intimamente relacionada à tentativa de manutenção de um poder?
Ensinar pelo medo e pela culpa é, a princípio, a maneira mais eficaz de angariar adeptos a uma doutrina. As religiões em geral, principalmente aquelas de denominação judaico-cristã – e aqui se enquadra perfeitamente o catolicismo – tem como uma das bases principais a crença na salvação por meio de Jesus Cristo. Ora, salvação só é necessária quando se julga não estar salvo. Mas salvo de quem? Do que? É tão limitada e ao mesmo tempo tão forte essa crença difundida por meio das escrituras de que havia necessidade de o homem ser salvo por seus pecados que até hoje sofremos a influência maciça dessa crença difundida há milênios e enraizada no apreço demasiado dado a textos que deveriam ser analisados antes pelo contexto e necessidades da época em que foram escritos do que pela suposta universalidade e eterna validade a que em geral são tidos.
O desconhecimento das causas e a análise de conjuntura possivelmente limitada do homem antigo foi um solo fértil para a proliferação de doutrinas que o colocassem como submisso a um poder ou poderes supostamente superiores a ele, e que deveriam ditar - não sem impingir uma moral onde prevalecia o sentimento de obediência e culpa. Não é surpreendente verificar isso no livro do Gênesis, onde a noção de desobediência a Deus provocou justamente o rompimento deste com Ele? E era tão forte a necessidade de explicar e justificar essa relação de dependência com Deus que foi mais sensato afirmar e proclamar que foi Ele quem criou tudo assim, e não o contrário, de que essa forma de ver o mundo fosse fruto da visão limitada daquela época, o que aliás nem teriam como saber que era limitada. O mais absurdo não é que eles tivessem feito isso, mas que o homem atual continue aceitando e acreditando, sem fazer nenhuma análise mais profunda, que tudo se dá e se processa tal qual escreveram os antigos “profetas” e evangelistas para um tempo, realidade, e contextos específicos.
É de se observar, aliás, que profecias sobre o futuro eram muito comuns nos tempos antigos. Não é de se admirar que de alguma forma os textos tidos como sagrados fossem uma espécie de “resumo” de como o homem via a história de seu tempo e de como ele atribuía sentido ao mundo que o rodeava. Não são as características de um Deus tal qual era representado no Antigo Testamento que nos levam ao conhecimento de quem era e como agia Deus como os povos antigos: eram exatamente esses atributos a Deus que demonstravam como o homem antigo o via. A crença em um Deus autoritário, vingativo, que cobrava obediência e temor, não era senão fruto de uma encomenda psico-social ao que se queria de Deus, e de como se queria Deus. Os próprios judeus esperavam e esperam até hoje que Deus envie o seu Messias salvador, e essa espera é fruto de uma crença antiga de que havia um povo escolhido. Ora, se Deus fosse de fato justo como apregoam as escrituras sagradas então não haveria distinção entre os povos e nem preferência por algum em detrimento de outrem. O problema não está, pois, em Deus, mas sim na visão de Deus que baseava-se em princípios rígidos que já não são mais cabíveis para o homem atual. E outra: Deus não se dá a conhecer pela razão, pelo pensamento. A razão humana é capaz de criar e justificar qualquer uma de suas criações.
Ser cristão é colocar-se em primeiro lugar numa condição de quem espera algo de fora, uma salvação de fora, e não uma busca interna. Não é necessário esforço para conhecer a Deus, basta entregar-se a Ele por meio de Jesus Cristo aceitando-o como aquele que veio livrar a raça humana do pecado. Essa idéia sempre me pareceu absurda. Sempre me causou repulsa, algo que não batia aqui dentro de mim. Essa posição a que se coloca um cristão é passiva, submissa, não o coloca como co-autor responsável de sua história, como quem tem livre-arbítrio. É fácil relegar a Deus tudo aquilo que não se entende, e esperar d’Ele todas as resoluções e repostas para os problemas que enfrentamos. Se consigo algo de bom, é porque Deus me ajudou. Se não consigo, ou se algo de ruim me acontece, não atribuo necessariamente a Deus, pois digo que “Ele sabe o que faz”, mas possivelmente não iria querer algo de ruim pra mim, mas que permitiu que tal coisa acontecesse, por que Ele sabe o que está fazendo, etc e tal. Poxa, como é incrível isso! Será que o homem não percebe que não é esse Deus que o criou, e sim ele que criou esse Deus? Em Deus de fato existindo, não teria atribuições tão humanas e mesquinhas como lhe soem atribuir todos aqueles que o vêem de maneira tacanha?
Não proponho aqui o ateísmo, mas sim um outro caminho: não tentar chegar a conclusões tão racionais sobre Deus, pois que a mente levará sempre à conclusões efêmeras e incompletas. Quanto mais se tenta conhecer a Deus com as ferramentas mentais de que dispomos, mais nos afastamos d’Ele. Ele não se encontra na bagunça do pensamento, mas sim no vazio deste. Por que tentar conhecer e justificar a Deus apenas por meio do pensamento? Que razão temos para eternizar a tendência ocidental de nos utilizarmos do pensamento tão-somente para viver uma experiência de Deus? Seja como for que se defina Deus, conhecer a Ele é resultado antes de uma busca original de cada um do que o resultado de uma série de crenças e rituais que nada constroem, e que antes deixam o homem mais preso a uma “pedagogia” religiosa que não leva a lugar nenhum. O homem já está cheio de justificativas sobre o que é o mundo, quem é Deus, e de como as coisas funcionam, e enquanto está com a cabeça cheia de teorias ele está cada vez com menos espaço para o crescimento, para a verdadeira comunhão com o Cristo interior, cada vez menos voltado para o seu interior para ali verificar consigo mesmo a verdadeira essência das coisas.
Fragmentos de mim...
Postado por Adilson Zabiela às 03:25
Esses são pequenos escritos de quando eu tinha provavelmente 16 anos. Pretenso poeta. Alguns trechos não estão completos. Resolvi, porém, deixá-los exatamente como foram escritos. As folhas já amarelam...
“E meu olhar se perde na esperança
De algum dia se encontrar comigo mesmo
Pra ver de perto o espírito que avança
Provavelmente pra evolução dos tempos
Chorei um choro que não havia chorado
A vida chora em face ao desencanto”
.....................................
“Na mais incrível languidez
Sinto-me como átomo sem molécula
Uma parte sem todo
Sem ver a verdadeira lógica do assunto
Descobrir-se e difícil
Não sou atleta
E olhando pra dentro do meu próprio peito
Posso ficar corcunda.”
(Vê se posso...)
Por vezes tênue...
Postado por Adilson Zabiela às 03:10
Torna-se por vezes tênue
A distância
Entre dois corações
Que se gostam
Simplesmente.
Fica por vezes tênue
A distância
De nossas mãos por sobre a mesa de um bar
E de um cruzar de braços que se recolhem por timidez.
É por vezes tênue
A diferença
Dos olhos que se vêem
Por acaso
E dos olhos que se olham
Com paixão.
É por vezes tênue
A diferença
Entre uma amizade e uma paixão
Entre a paixão e o amor
Entre o amor e o ódio
Entre a admiração e a inveja.
Por vezes tênues
Sentimentos se misturam
Ora constroem, ora destroem
Ora são únicos, ora se repelem.
É tênue a diferença
Entre os lábios que trocam palavras de amor
E os lábios que se beijam.
Fica por vezes tênue, a diferença
Entre a angústia da palavra sufocada
Não dita
Não feita poesia
E entre os versos sinceros no papel dispostos
Por vezes tênue...
Leitura no ônibus
Postado por Adilson Zabiela às 02:46
Certa feita, ao ver, no ônibus, uma moça assaz aturdida com uma leitura da faculdade...
Que farfalho tímido
Daquelas folhas
Ante o ronronar do que a tantos leva
Letras pretas, várias,
no papel impressas
E a me impressionar o seu olhar tão trêmulo
O que tanto lês, minha bela moça?
Trilogia do amor não correspondido
Postado por Adilson Zabiela às 02:14
Essa trilogia foi feita em 2003. Fruto de uma “admiração” que culminou em poesia. Aprecie com moderação.
Aquela que passa
Em seus passos lentos
Parece que leva um pedaço de mim
Olhar nem me olha, eu sei, não adianta,
Mas quando me olha, e quando sorri
Me deixa extasiado, me leva os trocados
Me põe lá em cima, e eu não sei descer
E não sei parar, ficar do seu lado
E não sei dizer palavra sequer
Me trava as idéias, me rouba o improviso:
“E aí, vai chover?”, nem isso não sai.
Me deixa um trapo, e viro sua sombra, e sigo quietinho aonde ela vai
Quem dera eu virasse, assim, de repente, o esmalte das unhas
Ou então seus anéis
Pra nela ficar, assim, bem juntinho
Sem nada pensar, nem nada dizer
Ou se ela viesse, e me abraçasse
“Vem cá que eu quero contigo falar
Me conta o que tem que te angustia, te tira do sério e te faz penar”
Aí eu diria que a culpa é dela
Por todo os sofrer que me fez passar
Por todo esse tempo que estou esperando
Momento tal qual pra eu declarar
Que louco, eu vivo, por ela, insano
Que eu quero AGORA com ela ficar
Que já não agüento fugir da verdade
Pois ela eu quero pra sempre amar
E nesse instante, suas mãos nas minhas
Seus olhos cerrados sem nada dizer
Um beijo bem longo ela me daria
E me chamaria uma voz qualquer:
“Acorda! Já são seis horas, o café já ta pronto!”
Como a primeira parte teve uma reação não muito acolhedora por parte da então "musa", recolhi-me à minha insignificância e escrevi o seguinte:
Antes ela não me olhasse.
Que bom se EU não a visse.
Que os olhos não se encontrassem,
E os passo não mais se cruzassem.
Se fosse pra morrer de amor,
de amor então morresse junto
Daquela que com seu sorriso
O meu bem querer conquistou.
Quem és tu amor injusto
Que rouba o meu coração
E chama pra junto de mim quem junto não pode estar?
Que à noite me tira o sono
Me leva a paz e o sossego
De onde me vem tanto apego
Àquela que não posso amar?
Meu Deus, leva longe de mim,
amores não correspondidos
Paixões que me queimam e corróem
O meu coração já sofrido
E leva essa louca loucura
Sonho, sofrimento, enfim
Me leva o desejo de tê-la
Mas deixa ela estar junto à mim"
Da segunda poesia até a terceira seguiram-se alguns meses. Não a vi por longos meses de convalescência (dela). Até que novamente frente aos meus olhos surgiu a inspiração para terminar essa trilogia. E eis que de verde ela assim me inspira:
Ainda me causa encanto
TEu sorriso indissolúvel
Esse olhar tão penetrante que me olha sem que eu queira
Tua presença toda em verde
Dissipa o preto e branco
Dos meus dias incolores
Dos corredores sem ti.
Por que reservas a outrem,
o amor que a MIM devias,
se é a ti que eu tanto quero
e não canso de esperar?
Canso, mas te espero
Espero, mas não te tenho
Te tenho, somente aos olhos
Mas não posso te tocar.
A emancipação das palavras
Postado por Adilson Zabiela segunda-feira, 23 de março de 2009 às 01:30
Essa crônica escrevi em 2003, no início da faculdade de Letras - UFRGS
Há dias em que penso que sou um poeta. Faço uso das palavras ao meu bel-prazer. Mudo-as de função, de lugar, da ordem que deveriam estar. Se fosse dado a elas falar, creio que me chamariam de “Meu Senhor”. Elas são minhas escravas. São, sim. Nem sempre me obedecem, é claro, mas são. É por isso que nem sempre bem escrevo. Deve ser pelo fato de eu não saber dar ordens.
Se o que escrevo é verdade, quão mandões foram Mário Quintana, Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e outros poetas! Como souberam ordenar suas palavras e bem escrever! É isso mesmo! Quanto mais lhe obedecem as palavras, melhor o poeta!
Espero que elas nunca se revoltem contra mim. Que continuem trabalhando a meu favor, que me obedeçam. Pois que eu bem as alimento com minhas leituras. Afinal de contas, como dono, tenho de bem cuidá-las. Caso contrário, armarão piquete, farão greve. Fico temeroso só de imaginar: palavras soltas unidas pelas ruas (até mesmo porque sozinhas elas não teriam força e não fariam sentido, a não ser as interjeições e alguns verbos) reivindicando por liberdade! Ou pior; organizar-se-iam num quilombo: O Quilombo das Palavras. Coitado de mim se fizessem isso! Aí com certeza apareceria alguém para abolir a sua escravatura.
Escravatura abolida, problema resolvido. Em partes. As palavras minhas e de outros brasileiros entrariam em contato pela primeira vez na vida com as palavras marxistas, pois teriam ganhado o direito de ir e vir que a nova condição de liberdade lhes teria dado. Revoltar-se-iam por saber que estão divididas em classes: as classes de palavras. Não demoraria muito e algumas palavras achariam que são proletárias e começariam a lutar por liberdade, contra a opressão. Não aceitariam mais ser dependentes ou presas. Iriam querer ser livres. As preposições e as locuções prepositivas pediriam um lugar ao sol. Reivindicariam pelo direito de unir-se a qualquer objeto ou predicativo. Posso até prever o caos: João namoraria contra Maria; O padre casaria com os noivos (e não os noivos); Eu beijaria em frente de minha namorada (e não ela, mas outra!).
E as interjeições? Bem, livres elas já são, mas diriam que precisam ser mais usadas. Elas invadiriam com violência (e com gritos de “Avante!”) as casas e repartições públicas, escolas e supermercados. Estariam em todos os lugares: Hei! Tudo bem?; Olá! Tô, sim!; Uau! Como tu estás linda hoje!; Humm...Quer uma carona?; Credo! Prefiro ir de pau-de- arara; Arre égua! Agora esse carro não pega! Elas querem ser vanguardistas, é por isso. Querem estar sempre à frente.
Os verbos. Ah...Os verbos... Eles teriam uma série de problemas. Não seriam unidos. Por entrarem em contato com os verbos ingleses veriam que são judiados aqui no Brasil. Que fazemos gato e sapato deles. Que os modificamos a torto e a direito. Muitos se revoltariam e em alguns lugares do Brasil imporiam suas regras. Abririam-se as fronteiras pois precisaríamos fomentar a imigração de verbos auxiliares. Imaginem só a situação: Amanhã vou ir à escola (tenho a impressão de que vou já virou auxiliar há muito tempo); Pô meu, pegared aquela onda ontem...; Aquela moça da floricultura ters os olhos tão lindos...; Eles têm nunca estado no Nordeste (por causa do have never been); Nós não saber o que fazer. Os verbos transitivos diretos, por sua vez, seriam importunados pelas preposições e pelas locuções prepositivas, como já disse antes. Eu beijaria em frente de minha namorada (a frase é a mesma, mas a moça já seria outra); Em vez de me deixar defronte da Universidade meu ônibus me largaria perto de outro prédio, o de Informática. Malditas locuções...
Os substantivos estariam felizes. Nem se importariam por mudanças muito drásticas. Só os abstratos seriam meio chatos de lidar, pois que são “intocáveis”. As ruas, que apesar de serem substantivos concretos não podem ser pegos, abririam seus caminhos para as passeatas. É a única coisa que poderiam fazer mesmo, pois não poderiam sair do lugar. Inúmeros movimentos sociais iriam atazanar a vida das pessoas. Os substantivos masculinos organizar-se-iam para lutar pelo resgate de algumas palavras. O MSM (Movimento dos Substantivos Masculinos) protestaria pela alface e pela rádio, principalmente. Convocariam as borboletas, as pulgas, as vítimas e as crianças para que destes surgissem representantes favoráveis à mudança de gênero. Já o MSFC (Movimento dos Substantivos Femininos Conservadores) diria que isso é uma prepotência dos masculinos, e que gênero não é uma questão de opção e que os substantivos femininos deveriam manter-se como tal, pois assim foram criados. Uma linha menos conservadora já defenderia a liberdade de optar por ser masculino ou feminino...
Creio que as lutas de classe seriam constantes, e não faltariam movimentos comunistas pregando igualdade. Nesse ponto o governo iria interferir de alguma forma: puniria os manifestantes mais revoltados. No caso dos substantivos, seriam censurados por grupos de repressão apoiados pelo governo. Assim que presos sofreriam inúmeras torturas físicas: deveriam pagar com flexões. Todos os outros substantivos, sequiosos por justiça, concordariam com essa sanção em gênero e número.
Não poderia deixar de citar os pronomes oblíquos. Deixei para o fim, entretanto, porque eles não se uniriam em grupos ou movimentos. Seriam pacíficos, pois são em geral conformados com sua função: acompanhar os verbos. Se for na frente, no meio ou atrás, pra eles não importa muito. Sabemos, contudo, que devido à nossa cultura brasileira, muitos preferem ir à frente. Alguns deles, como me, te e se, meter-se-iam em brigas pra tentar ficar atrás do verbo. Não quero interferir na opção deles, mas se é realmente assim que querem acho que deveriam ir para Portugal.
As onomatopéias seriam seres com sentimento altamente nacionalista e estariam prontas para pegar em armas em qualquer guerra contra outros países. É porque elas se acham donas da verdade. Acham que as onomatopéias estrangeiras é que estão erradas. Os quacks viriam da Inglaterra e dos Estados unidos para lutar contra os quás aqui do Brasil. Não sei se lutariam muito e quem venceria, porque essas, como muitas outras onomatopéias, são imotivadas, não têm muita motivação para nada. Já as onomatopéias autênticas, como glu-glu e o tic-tac, estariam unidas no mundo inteiro tentando convencer as outras a não guerrear. É que elas fazem parte da ONU (ONomatopéias Unidas).
Por fim, há ainda os artigos. Entre eles, há aqueles que sofreriam um sério preconceito: os indefinidos. Eles fariam passeatas para conscientizar as pessoas de que eles têm um lugar e de que é bonito sim ser indefinido. É de sua natureza ser assim. Já os definidos jactar-se-iam da sua alcunha.
Enfim, seria um caos. Tomara que não! Espero com que sozinhas ou em grupos as umas palavras poder saber o que fazer da vida. Mas elas não vão por agüentar, eu sei. Sem dúvida! Vão voltar aos seus donos e pedir por trabalho. Claro! Elas não podem um ficar sem fazer nada. Meu Deus! Elas não poder fazer o que perante querer! Cruzes! Credo! Chega! Socorro! Estou sendo atacado por uns artigos indefinidos querendo levar esse meu artigo!!!
If I had...
Postado por Adilson Zabiela às 01:26
If I had to write a poem,
like this I just wrote
Would I know the right word,
To define what I feel?
Would I make my wish come true,
Would my poem tell the truth?
Would it make a difference?
Would you be there in my words?
'cause I know just what you think
And I know just what you feel
But I don't know what to do
When you look at me this way...
Why do you always come out,
through the ink of my pen?
Cause I feel you here inside
And all of a sudden you are on my papers
In my poems, in my thoughts...
Because here you are still that little girl
I cared for so many nights
And the memories are so sweet...
Te sinto numa diminuta...
Postado por Adilson Zabiela às 01:24
Te sinto numa diminuta
Meu amor
Depois de uma sétima provinda de uma menor
Te canto como quem copia versos
Melodias
E os torna seus
Como se nunca houvessem sido cantados antes
Num cantar único
Maravilhoso
Só meu
E só minha te faço
No meu coração
Minha mente
Minhas mãos pelo teclado
Mil razões invento
Pra te sentir de novo
Pra te fazer única
Pois meu momento é único
E assim é o amor
Se dura ou não
Foi único
Foi real
Foi presente
E é passado.
Sobre o ensino religioso nas escolas
Postado por Adilson Zabiela às 01:15
Qual é a origem e a necessidade do ensino religioso nas escolas? Essa opção não seria por si só elitista no sentido em que pode acabar privilegiando determinada religião em detrimento de outra? Me parece que a discussão sobre o por que da necessidade de haver religiões, que vantagens e desvantagens elas podem trazer ao homem seria muito mais proveitosa do que um currículo que acaba agradando sei lá a quem. Aulas de filosofia e religião em escolas geralmente são tidas por inúteis pelos alunos, e eu me pergunto se de fato não o são. Não se estaria dando às crianças e adolescentes algo desnecessário para a idade deles? Não seria mais sensato utilizar-se de outros meios pedagógicos para se construir um ser pensante? Será que só se constrói um ser pensante mostrando a ele como outros pensaram antes? Será que as crianças e adolescentes, justo eles, não estão muito mais próximos de poder formular por si mesmos a sua interpretação de mundo e de como muitas coisas são ou poderiam ser?
Da mesma forma que não se ensina uma língua somente se expondo um indivíduo a ela, não se deve ensinar religião somente mostrando aos alunos como são as religiões, ou ensinar filosofia somente a partir do que outros pensaram. Parece haver outros caminhos não muito explorados até hoje, e no cerne daquilo que pouco se faz por aí deveria estar mais presente o avivamento da consciência crítica, pensante. O problema é que a educação vive por si só um dilema, ela tem em si mesma atos de “enformar” o aluno dentro de determinados parâmetros muito mais do que libertá-lo, pois dar liberdade pode ser sinônimo de perder controle, e me parece que a poucos educadores e instituições interessa “perder” o controle, controle que aliás me parece que só existe como uma ilusão daquele que julga educar. Parece haver um poder necessário da parte do educador para que a instituição e o ensino se faça, mas que no fim das contas acaba por não ser o que realmente constrói o aluno e sua dignidade humana.
A educação, em muitos espaços, parece se fazer mais por repressão do que por verdadeiro desejo de oportunizar crescimento. O termo “educação” em muitos contextos poderia ser trocado por “contenção de ânimos”, pois que interessa mais conter a ira dos alunos do que realmente acolhê-la e com ela construir. Não estou querendo generalizar isso, mas qualquer atitude que se baseia somente na contenção do comportamento do aluno parece beber numa fonte de uso de poder que não liberta tanto quanto poderia libertar se fosse possível repensar o sistema como um todo, e não a escola isolada de tudo o que a criança vive no seu dia a dia.
Voltando à questão do ensino religioso em escolas, para que confundir educação moral com ensino religioso? Não é necessário religião para trabalhar moral. A moral não é filha da religião, embora se pense em muitos casos que sim. O homem não é bom ou deve ser bom porque existe um Deus que o pune caso ele não haja de acordo com determinadas regras morais. O homem tem em si mesmo a capacidade de julgar o que é correto ou incorreto, e não é pela necessidade da existência de um ser superior que se deve basear um conjunto de comportamentos. Ter de apelar a um Deus para erigir um corpo de normas ou regras morais é um descalabro sem tamanho, pois que coloca novamente o homem dentro de uma dependência desnecessária. É como só se fosse possível agir como que “pisando em ovos”, pois que Deus estaria sempre lá no seu lugarzinho vendo e anotando tudo o que fazemos para um dia nos cobrar. Acho que nossa consciência já faz isso suficientemente, e não há necessidade de prender o homem a uma crença somente por medo.
É preciso, pois repensar essa área da educação...
Por que deixei de achar que era cristão - Parte 2
Postado por Adilson Zabiela às 01:11
Cultura e tradição. Essas são as maiores razões pelas quais fazemos o que fazemos. O problema é que muitas pessoas não questionam sobre isso, e creio que nunca vão questionar. E nem é por maldade ou má vontade, mas por pura ignorância (ignorar= não saber de algo). Elas nem imaginam que certas coisas poderiam ser diferentes do que de fato são. Família, religião, profissão...Bem, mas o fato é o seguinte: a quem interessar possa, continuarei escrevendo essas linhas. E quando falo em deixar de achar que sou cristão estou tocando num ponto delicado, eu sei. Mas é preciso que alguém toque.
Tenho lido muito sobre o assunto ultimamente, tanto a favor quanto contra o cristianismo. A conclusão que tiro, da maioria das leituras que faço, é a seguinte: o homem tem uma capacidade incrível de criar teorias sobre o mundo e tentar convencer os outros não daquilo que de fato é, mas daquilo que ele gostaria que fosse. Todas as representações religiosas ou espirituais trazem consigo não a verdade sobre as coisas, mas aquilo que o homem julga ser a verdade, aquilo que ele gostaria que fosse a verdade. E aí é que está o problema. O homem de fato quer conhecer a verdade? Ou só está procurando formas de satisfazer sua mente pensante que não pára de questionar? Porque há diferença entre buscar algo verdadeiramente e achar que o que se está fazendo é o certo.
O problema é que não fomos ensinados a repensar o processo. E quem repensa o modo de se relacionar com o mundo não raro é tido como quem pensa demais ou que está revoltado ou louco. Conheço algumas pessoas assim, e até eu mesmo já fui qualificado como quem lê demais, e por isso escreve o que escrevo. Nem leio tanto assim. Apenas que a minha forma de ler as coisas é de outro nível, é diferente. Não estou preocupado com o aparente, com a superfície: percebo que é possível ir além. Costumo reparar o comportamento de meus conhecidos no que tange à relação com Deus e com religião.
Percebo haver muita incoerência na atitude de muitas pessoas, e não raro a incoerência me incomoda mais do que aquilo que acreditam aqueles com quem não concordo. Por exemplo: me incomoda menos um cristão convicto que aceita totalmente a Bíblia (apesar de eu não aceitar os princípios cristãos) do que aquele que vai na Seicho no ie no sábado, na missa no domingo, e durante a semana lê um livro de auto-ajuda como que tentando preencher todos os possíveis vazios de sua existência. Pior ainda quem vai na igreja católica e no espiritismo ao mesmo tempo. Será que não percebe que as coisas não se coadunam? Que apesar de algumas semelhanças há diferenças que não batem? E por que as pessoas fazem misturas sincréticas desse jeito? Justamente porque se relacionam com Deus e com a religião como se bastasse dar um pouquinho de atenção para cada um eles e tudo está resolvido.
Jesus e Deus são criaturas que necessitam de atenção: parece ser essa a mensagem. Precisam mesmo? Não é uma projeção que comumente se faz? Estou por crer que sim. Que é exatamente isso. Que o que se diz que Deus disse e diz a muitos, seja pela Revelação, ou seja por pretensas mensagens de cunho divino, não é nada mais do que aquilo que o homem quer ouvir. Ouvir certas coisas é confortador; enfrentar-se e enfrentar a realidade com outros olhos pode não ser tão confrontador assim. O que se quer de fato não é crescer: é ter conforto. Conforto psicológico e conforto espiritual. O fato é que estamos sempre sendo convidados a crescer, e querendo ou não chega uma hora que ficar na zona de conforto já não basta: é preciso ir além. Infelizmente nem todos parecem perceber isso.
Eu decidi ir além. Mas confesso que não é fácil. Assumir-se como quem não espera num salvador é difícil. É remar contra a maré. Não é tão difícil psicologicamente, mas sim no que se refere às relações sociais. Dizer-se não cristão suscita diferentes reações nas outras pessoas, de acordo com a sua afiliação religiosa e espiritual. É tão forte e não questionável “aceitar Jesus” que parece que quem não pensa da mesma forma ainda sofre algum tipo de “inquisição”. É porque ser cristão - segundo as palavras de um escritor amigo meu, o Rammyl Trindade– é
“estar tentando se transformar em Jesus, e estar em estado de Cristo é estar negando a tentativa de estar se transformando em alguma coisa. Você já está em estado de transformação, então por que tentar se transformar? A transformação é uma coisa espontânea, não é uma coisa que você provoca. Aquilo que você provoca é com base naquilo que você aprendeu; e se você está repetindo o passado, se você está em estado de repetição daquilo que você aprendeu, não está em estado de revolução, mas sim em estado de continuação, de prolongamento do que foi; e a revolução pra mim é instantânea, é uma coisa que acontece, é uma coisa que é. (...) o cristão é aquele que persegue uma idéia (...)idéia do que Jesus parece ter sido.”
(Entrevista concedida no dia 07/03/2009)
Foi com esse grande escritor e pensador que aprendi essa grande sacada: não é de cristãos que o mundo precisa, mas sim de pessoas que se disponham a viver o Cristo em si mesmas; até mesmo porque Cristo não é um atributo de Jesus tão somente. Nos fizeram crer, no decorrer da história do cristianismo, que a palavra “cristo”, que no grego significa “ungido”, era um atributo de Jesus somente. Que era necessário esperar nele a salvação, porque assim Deus tinha determinado. Será que essa concepção sobre Cristo não é um desserviço à humanidade? Será que não acabamos séculos tentando ser o que não somos e invertendo valores?
Segundo Rammyl,
“A maneira como Jesus foi apresentado pelo cristianismo tradicional nos faz pensar que Ele não passava de uma espécie de reformador sociopolítico-religioso à procura de simpatizantes para sua causa. A sua revelação no mundo sugere uma transformação um tanto mais profunda e significativa, primeiro no nível psíquico da humanidade, em seguida num sentido muito mais amplo em que a manutenção do Universo inteiro é levada em maior consideração que a nossa vida diária, sujeita a certos vícios e imites locais”
Extraído do livro “Jesus não era Cristão” do autor supra-citado.
Você é cristão? Sabe de fato o que é ser cristão? É coerente com essa crença ou é cristão só porque milhões de pessoas também são? Vejam bem: respeito a opinião e posicionamento alheios. Quem de fato crê como um cristão e acha que está certo merece todo meu respeito. Só acho que aqueles que assim se definem deveriam prestar pela coerência, e não assumir um rótulo só porque todo mundo faz.
Por que deixei de achar que era cristão - Parte 1
Postado por Adilson Zabiela sábado, 21 de março de 2009 às 01:51
Pensei em escrever um texto cujo título fosse “Por que deixei de ser cristão”, ou “Por que não sou mais cristão”, mas achei que seria mais coerente dizer “Por que deixei de achar que era cristão”. Nesse quesito, cristandade, ninguém na verdade deixa de ser cristão: ou o é de fato ou estava enganado que fosse. Era meu caso. Achava que era. Afinal de contas, fui batizado católico, estudei para ser padre, atuei na Igreja como músico, catequista e até achei que tinha que voltar ao seminário e assumir o sacerdócio. Ou mudar de religião e ser pastor. Sim, eu pensei nisso. Não só pensei como carrego no meu currículo espiritual duas profecias de que um dia eu me tornaria sacerdote, pois que Deus me chamava para isso. Uma delas ouvi de um Padre, outra de um Pastor. Um falava em sacerdócio, outro falava de ministério. Um católico, o outro protestante. E, muito embora eu não me encaixasse em nenhuma das duas grandes denominações da religião cristã, continuei achando que tinha algo muito importante a fazer no que se referia a dizer, ou pelo menos escrever para que as outras pessoas tivessem uma referência diferente de relação com Deus.
Por que a palavra “cristão”? Quando digo achar que não sou mais cristão imagino que algumas pessoas possam interpretar que me tornei um seguidor do anti-cristo, ou do maligno, ou algo que o valha. Já deixo bem claro de antemão que a minha oposição não é de modo algum à pessoa de Jesus. Sendo bem verdade tudo aquilo que os quatro evangelhos canônicos falam sobre ele, creio que de fato Jesus foi um grande Cristo. Ele foi um grande exemplo de quem soube viver-se em plenitude, e acabou sendo confundido com um monte de esteriótipos que colocaram por sobre ele. Não entendo muito sobre a Biblia, e até agradeço àqueles que vêm até mim querendo de fato me ensinar alguma coisa sobre esse conjunto de livros. Mais tarde manifestarei um apelo a vocês.
Voltando ao que é ser cristão, explicarei em poucas linhas, e acho que ninguém vai achar que minha definição está equivocada. Grosso modo, ser cristão é acreditar que Deus criou o mundo tal qual está descrito no Gênesis, criou Adão e Eva, Adão desviou-se dos planos de Deus e desobedeceu-lhe, seja lá qual foi o fruto da árvore (metafórico ou não) que ele provou e não devia; Deus, muito amoroso, deixou que a descendência de Adão sofresse, pois afinal de contas Adão teve o livre-arbítrio de tomar suas decisões. Deus pedia ao homem que, em vez de sacrificar um humano, lhe oferecessem em sacrifício cordeiros, e assim o homem, em rituais de sacrifício, estaria expurgando-se de seus pecados. Em suma, Deus resolveu, por muito amor ao homem, enviar , depois de muito tempo, um Cordeiro que redimisse de uma só vez todos os pecados do homem. Esse Cordeiro seria nada mais do que o Seu Filho, aliás, único: Jesus Cristo. Bastaria crer em Jesus em aceitá-lo como salvador dos pecados e tudo estaria resolvido.
História bonita, não é? Pois é. Durante muito tempo achei que eu estava errado por não aceitar isso. Na verdade não entendia, até que um amigo crente me explicou que, resumidamente, ser cristão era isso. Peço desculpa de não dar melhores detalhes dessa história toda, e me desculpem os crentes se encontrarem alguma incoerência no que escrevi. Aliás, nenhum crente que eu conheço concorda em totalidade nem com as outras denominações cristãs (em número aproximado de 36000 em todo o mundo!!!), que dirá então concordar com o que escrevo aqui... mas sintam-se à vontade para acrescentar o que quiserem. Antes de mais nada, queria dizer uma coisa: não estou sendo irônico para com os meus irmãos crentes. De fato sintam-se à vontade para contribuir com o meu conhecimento. Aprendi muito com os crentes evangélicos, muito mais do que com os católicos e em menos tempo, e admiro muito a eles por isso. Apenas não creio em certos princípios que eles crêem, mas isso já é uma questão de opinião, e tanto quanto respeito a eles exijo o devido respeito ao meu jeito de encarar o mundo e interpretá-lo. Mas por favor, continuem me trazendo conhecimentos bíblicos. Eu preciso desse conhecimento, seja para concordar com ele seja para refutá-lo. Admiro-os e muito, conquanto que a abordagem do crente seja inteligente, pois da mesma forma que existem maus professores nas escolas, existem crentes (de todas denominações cristãs, incluindo católicos) com sérios problemas de didática querendo converter todo mundo.
Bem, mas voltando ao ser cristão: sempre achei que eu tinha problemas em aceitar isso tudo, e que eu deveria procurar maneiras de me esclarecer e entender o que é ser cristão e por que acreditar nessas coisas. O fato foi que sempre tive uma intuição me fazendo descrer de tudo isso e me apontando para um outro caminho, não o da crença incondicional, mas o caminho de outras possibilidades. Para que eu acreditasse na teoria cristã tal e qual, eu precisaria assumir uma postura filosófico-epistemológica de que a verdade sobre o mundo se dá somente por uma revelação. Até assumiria essa postura se ela me parecesse mais razoável do que outra análise que faço sobre a Bíblia: ela é, como outros textos tidos como sagrados, uma combinação de uma variedade de observações documentadas, narrativas, poesia, lições de moral, parábolas e depoimentos; não obstante, vejo que a tentativa de seus autores de capturar a verdade de Deus e a realidade ocorrem dentro de contextos culturais e históricos que afetam seu ponto de vista. Em suma: não tenho muito a dizer em relação à Bíblia por não conhecê-la tanto quanto muitos afirmam conhecê-la; mas, partindo já do pressuposto anterior sobre o que considero ser a Bíblia, não considero que ela deva ser a fonte única da verdade sobre Deus e o mundo.
Até onde o conteúdo bíblico é real ou metafórico, ou até mítico, não sei dizer. Mas que seu conteúdo seja no mínimo heterogêneo para mim não resta dúvida. Em suma, considero a Bíblia como uma verdadeira fonte de referência à histórias de povos antigos, lamúrias, lamentos, conquistas, profecias, todos eivados de conteúdos que refletem crenças de povos antigos, algumas das quais não servem mais para os dias de hoje. Não tenho, portanto, nada contra a Bíblia, somente contra aqueles que querem me convencer de que ela é a fonte única da verdade. E para quem ainda quer me convencer disso, eu pergunto: por que eu precisaria crer que ela é a fonte única da verdade, revelação única de Deus para os homens? Eu particularmente não tenho necessidade de crer assim. Aliás, deixei de achar que eu teria de me encaixar em alguma forma de pensar que não fosse a minha própria maneira de enxergar as coisas. Porque visão de mundo não se ensina: ou se tem uma, ou se adota uma alheia. E esse é um conselho que dou a quem tenta convencer os outros de sua crença de maneira ferrenha: sempre tentamos convencer os outros daquilo que pensamos, e não deixo de crer que essa será sempre a atitude de quem quer convencer alguém daquilo que acredita. O detalhe está que eu não vou poder convencer ninguém daquilo que eu enxergo, porque só enxergo como tal por razões muito próprias; o máximo que posso fazer é como que semear aos outros aquilo que creio, e deixar que, caso eles entendam algum aspecto do meu ponto de vista, busquem por si só montar a sua crença. Do contrário, estaria fazendo o que as religiões fazem: dar uma receita do que deve ou não ser acreditado e as razões para acreditar em tais coisas. Isso é promover o real crescimento de uma pessoa? Eu acho que não...
Não raro leio ou ouço n internet ou em depoimentos pessoais sobre pessoas que deixaram de ser de uma determinada denominação cristã, geralmente por revolta de não ter sido bem tratado, ou pressionado, ou ainda afirmando que tal igreja não seque a Bíblia como deveria. Em muitos desses casos me parece que há uma premissa que muitos não conseguem resolver: afirmam que deixaram de participar de tal e tal denominação porque as ações e práticas sociais não condiziam com a palavra de Deus. Nesses relatos sempre se encontram comentários do tipo "mas na Bíblia não está escrito que..." . Como em muitos outros relatos, está implícito o seguinte: a Bíblia, e somente ela, é a fonte da verdade. Existem vários outros discursos de outras denominações que não conseguem fugir de ser um disfarce do discurso que negam. Parece que não conseguem ser originais.
Vejamos por exemplo o caso do espiritismo. Fico à vontade de falar do kardecismo, pois me criei dentro dele na infância, por influência dos meus pais. A meu ver, na melhor das hipóteses, e guardando as devidas proporções e princípios, o espiritismo kardecista se assemelha muito, no seu discurso, ao catolicismo. Não à toa há muitos católicos que convivem pacificamente com o espiritismo.
Qual é a base do espiritismo que o diferencia do catolicismo? A crença na reencarnação e a possibilidade de comunicação com os espíritos. No mais – e me parece que as pessoas em geral não percebem – o discurso de alguns espíritas é muito parecido com o de católicos, pelo menos aqui no Brasil. Existe uma tendência geral de o espírita se considerar como cristão, e isso é um descalabro epistemológico. Confunde-se o apreço e consideração pela pessoa de Jesus Cristo com ser cristão strictu sensu.
Para não ser incoerente com a linha de raciocínio que estou adotando, faço aqui uma ressalva. Quando falo em ser cristão, refiro-me a acreditar e aceitar a Bíblia como revelação máxima de Deus para com o homem e ter Jesus como o único meio de libertação e salvação desse mundo.
Vejamos pois algumas citações de um site cristão, que de certa forma são princípios comuns a muitas denominações cristãs.
"(...) os cristãos crêem no tempo do fim. Eles esperam, com ansiedade, o retorno de Jesus à Terra para colocar um ponto final na história do pecado. Os mortos ressuscitarão, os maus serão destruídos e todas as coisas serão refeitas de modo que a perfeita vontade de Deus será refletida no mundo. Então, morte e pecado não existirão mais (Ap 21:4)."
"Em Seu infinito amor e misericórdia, Deus fez de Cristo (que não conheceu pecado) pecado por nós, para que nEle pudéssemos ser justiça de Deus. Guiados pelo Espírito Santo, sentimos nossa necessidade, reconhecemos nossa condição pecaminosa, nos arrependemos de nossas transgressões e exercitamos a fé em Jesus, Senhor e Cristo, como Substituto e Exemplo. A fé que aceita a salvação vem por meio do poder divino da Palavra, sendo um presente da graça de Deus."
"Por meio de Cristo, somos justificados, adotados como filhos e filhas de Deus e libertados do senhorio do pecado. Por meio do Espírito, nascemos de novo e somos santificados; o Espírito renova nossa mente, escreve a lei de amor de Deus em nosso coração e nos dá o poder para vivermos uma vida santa."
"Permanecendo nEle, nós nos tornamos participantes da natureza divina e temos a certeza da salvação agora e no julgamento (2Co 5:17-21; Jo 3:16; Gl 1:4; 4:4-7; Tt 3:3-7; Jo 16:8; Gl 3:13, 14; 1Pe 2:21, 22; Rm 10:17; Lc 17:5; Mc 9:23, 24; Ef 2:5-10; Ro 3:21-26; Jo 1:13, 14; Rm 8:14-17; Gl 3:26; Jo 3:3-8; 1Pe 1:23; Rm 12:2; Hb 8:7-12; Ez 36:25-27; 2Pe 1:3, 4; Rm 8:1-4; 5:6-10).Com a vinda de Jesus (primeira), porém, chegarão as bênçãos de uma nova era. Se crermos nEle, passaremos da morte para a vida (Jo 5:24); na verdade, podemos ter vida eterna agora (Jo 3:16-18)."
"A ressurreição e a vida eterna fazem parte das bênçãos do Céu, e como cristãos, podemos desfrutá-las agora. Esse prazer, entretanto, é uma antecipação das bênçãos futuras. Quando Paulo explica por que o cristão não deseja mais pecar, ele o faz tendo em vista o batismo. Quando somos batizados, unimo-nos a Cristo em Sua morte (Ro 6:4 e 5). Ele diz, então, que devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Jesus (Ro 6:11)."
"Para Paulo, esse é o segredo de ser cristão. Ainda vivemos neste mundo com a natureza pecaminosa em nós, mas devemos viver de acordo com a nova realidade disponível por meio de Jesus. Continuamos sendo filhos de Adão, mas como cristãos, temos nova realidade dominando nossa vida. Podemos viver as bênçãos do porvir, agora mesmo, se nos considerarmos mortos para o pecado e vivos para Jesus. Os cristãos são filhos da esperança; eles estão em Cristo."
"Se o cristianismo não trouxer mudança para a vida dos crentes, então estaria baseado numa falsidade que poucos aceitariam. Na realidade, para cada cristão hipócrita podem existir dois ou três que, a cada dia, se tornam mais semelhantes ao seu Senhor – sendo amáveis, gentis, atenciosos e verdadeiros."
Retirado de:
http://portuguese.adventistworld.org/article.php?id=254, às 23:47 do dia 21/03/2009
Será que de fato estamos perdidos sem Jesus? Ou estamos perdidos se não formos capazes de viver o Cristo, vivermos o melhor de nós em abundância?
Até a próxima!
Bem aventurados os pobres
Postado por Adilson Zabiela sábado, 14 de março de 2009 às 00:52
Sempre ouvi com certa estranheza a afirmação da Igreja Católica de ter opção preferencial pelos pobres. Sei que assim se afirma pelo fato de o próprio Jesus ter se colocado como defensor dos pobres em suas pregações e seus atos, defendendo os excluídos de sua época, posto que a exclusão daqueles que não eram “doutos” era bem visível e aparente na sociedade de então. Faço-me, entretanto, uma pergunta: por que fazer disso (dessa opção de Jesus Cristo) uma pretensa bandeira? A opção de Jesus pelos pobres e excluídos de sua época, era, a meu ver, nada mais do que a justa consideração que se deveria ter por todas as pessoas, respeitando todos sem distinção de conhecimento, tentando quebrar as barreiras do preconceito assaz difundido e praticado de que somente a poucos cabia o papel de saber e assumir esse saber socialmente. Trata-se, pois, de uma opção circunstancial, talvez a mesma que faria hoje em dia ao ver tantos pobres no mundo. Essa opção, entretanto, deveria ser interpretada como algo do tipo: não só os escribas e fariseus são os donos do conhecimento, os doutores da lei. Não se faz o conhecimento apenas do muito saber e do saber culto. A pobreza de espírito - pelo que entendo que Jesus queria se referir - não era somente aquela proveniente da sua condição social, até mesmo porque o termo ptochos, utilizado por Lucas, não se refere exclusivamente à pobreza de ordem econômica, segundo Dacanal (2003), em seu livro “Eu encontrei Jesus”.
O que haveria de sublime em ter preferência pela pobreza? Ter atenção pelos pobres sim, procurar maneiras de promover justiça social sim, mas não porque ser pobre deva ser algo a ser exaltado, e tampouco almejado! O que faz a Igreja ao erguer tal bandeira? A meu ver muitos não sabem de fato do que estão falando ou o que estão ouvindo quando defendem essa afirmação. Até mesmo porque é fácil falar de fora e dizer-se a favor dos pobres. Será que promover o real crescimento daqueles menos favorecidos economicamente se dá por meio de pregações cristãs? O que têm os evangelhos de fato a contribuir para com os que são pobres? Vejo diferentes vertentes cristãs abordando esse assunto sob diferentes formas: o cristianismo católico afirmando-se a favor e em defesa dos pobres - sem muito acrescentar sobre o crescimento real do ser humano - e vejo por outro lado (algumas) igrejas protestantes que angariam fiéis sedentos pelo sucesso afirmando que a redenção e a prosperidade estão defendidas na Bíblia. Nem oito nem oitenta. Não é disso que precisamos.
O que precisamos de fato é de uma análise social que vá além de qualquer mensagem cristã. Nem é necessário, aliás, basear-se em nenhum princípio religioso quando o assunto é promover justiça e fazer o bem. O homem não deve ser bom a ninguém porque Deus mandou ou porque algum ensinamento de algum mestre considerado “superior” nos revelou que deveríamos agir assim. Sustentar a moral e o comportamento em revelações sagradas pressupõe crer que, se não fosse por revelações sobrenaturais sobre o que se deve ou não fazer, não seria possível saber o que fazer e como fazer; não seria possível ao homem julgar o que é ou não é ético, moral, e tal. Não à toa confunde-se muito ainda o que fazer em determinadas circunstâncias, e a moral religiosa ainda se confunde muito com a moral política, deixando confusos aqueles que são responsáveis por tomar decisões relacionadas a questões como, por exemplo, permitir ou não pesquisas com célula-tronco, ou ainda julgar se é ou não lícito abortar um fruto de estupro.
No que se refere à opção pelos pobres, nada que uma pitada de Nietzsche não ajude na reflexão. Nietzsche (putz, mas que nome difícil de escrever, tente só pra ver!!!) costumava criticar o cristianismo pelo o que ele considerava uma inversão de valores: bem aventurados seriam os pobres, os fracos, os humildes, enfim... enquanto que na sua opinião era justamente o homem forte, virtuoso, inteligente, e com outras qualidades que deveria ser tido como exemplo. Não sei até que ponto ele ironiza tudo isso, pois há de se considerar o caráter irônico de seus escritos; hei de convir, contanto, que precisamos cultivar e tomar como exemplo as virtudes do homem, e não sua fraqueza. Prefiro práticas que construam o homem, e não aquelas que trazem resignação. Não lembro o livro onde li sobre essa “inversão” de valores cultivados, mas creio que é no “O Anticristo”.
Último e não menos importante, no que se refere a tomar nas próprias mãos a responsabilidade sobre as ações, vem Kant e nos presenteia com algumas máximas que recomendam o seguinte: "Age unicamente segundo uma máxima tal que ao mesmo tempo possas querer que ela se torne uma lei universal". E ainda: "Age de tal maneira que trates a humanidade, em tua própria pessoa e na pessoa de cada outro ser humano, jamais como um meio, porém sempre ao mesmo tempo com um fim." (Extraídos de seu livro “Crítica da Razão Prática”).
No momento em que nos damos conta de que a relação de ação e responsabilidade sobre os atos vai além da crença em Deus e de necessidade de ter uma religião, que proveito podemos tirar dessas máximas para a nossa prática e mudança de atitude em relação a nós mesmos e ao mundo?
Há limites no querer
Postado por Adilson Zabiela segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 às 18:47
Li recentemente numa revista de uma filosofia de vida a seguinte frase: “Tudo nesse mundo acontece exatamente como pensamos”. Não é só nessa filosofia de vida que ouvi isso, mas também em várias outras fontes como o livro “O segredo”, ou até mesmo em pessoas que se diziam basear na psico-neuro-linguística para defender essa idéia. Não conheço bem essa última, mas se ela se baseia na idéia de uma reprogramação mental então coloco-me contra ela. Não creio na supremacia do eu-cerebral sem levar em consideração as outras instâncias do meu ser, e crer pois que somente mudando o meu modo de pensar mudarei o mundo ao meu redor é partir do princípio de que a minha cabeça sozinha pode mandar em toda a minha vida, e que existe uma mágica por trás disso, como se o simples pensar fosse capaz de tudo transformar. Será que quem crê assim não está vendo que partiu de um extremo para o outro na sua interpretação de mundo? Não percebe que partiu de uma extrema obediência a Deus para uma obediência ao seu eu-cerebral? É como que substituir uma mágica pela outra. Acreditar, pois na força do pensamento é tão mágico quanto acreditar na capacidade de tudo conseguir através do pensamento positivo.
Instituir-se de poder para agir sobre o mundo é desconhecer os seus próprios limites e os limites do mundo. Me parece que é ignorar que nem tudo se pode, é querer tapar o sol com a peneira, cegar-se à verdade de que nessa vida há ganhos e perdas, e que não depende da minha vontade fazer com que tudo dê certo, e tampouco o resultado de tudo pode ser atribuído à vontade de Deus. É preferível não lançar nenhuma hipótese do como as coisas de fato ocorrem do que ficar crendo em idéias absurdas. O fato é que, tanto a idéia de crer em Deus inescrupulosamente e com obediência cega quanto a idéia de que meu pensamento pode modificar tudo baseia-se na renúncia da responsabilidade de descobrir-se, conhecer-se, saber quais são seus próprios limites, tomar decisões a favor do próprio crescimento. Qualquer decisão mágica de como conduzir a vida vem de uma postura na qual o sujeito se exime de responsabilidades para consigo mesmo. Não estou dizendo aqui que primeiro é necessário conhecer-se totalmente para somente então tomar decisões: mas é necessário, tomar decisões que vão no sentido daquilo que percebemos ser o melhor para nós. É necessário ativar a “obediência mediada”, pela qual assumimos para nós mesmos e para o mundo, por meio de uma postura humilde, que nem tudo sabemos, mas que intuímos que determinada atitude ou decisão irá mais ao encontro do nosso dever do que outras decisões. Porque me parece que esperar um sinal de Deus parece também eximir-se de responsabilidade. É como se eu entrasse naquele táxi, citado em outra ocasião, e pedisse que o taxista me levasse para onde quero ir, esperando que ele soubesse.
Despindo-se de ilusões
Postado por Adilson Zabiela às 18:07
Parece haver uma sensação de pertença bem marcante e presente todas as vezes que as pessoas em geral partilham certas opiniões , sensações ou crenças. Por exemplo: existe um “censurador” interno que cada um ativa frente a determinados grupos ou situações, como que para sentir-se mais ou menos aceito. Isso ocorre em vários grupos.
Ver a verdade parece ser difícil, pois é necessário que despir de falsas expectativas e ilusões. E a mim parece que o ambiente religioso e muitos outros ambientes estão eivados de ilusões e necessidade de satisfação de carências. Não consigo deixar de olhar para os outros e vê-los enleados em ilusões que não fazem muito mais do que mantê-los num estado de espírito medíocre, que não avança, que não vai em busca de si e que justifica em outras entidades, instâncias ou destino aquilo que na verdade não foi possível perceber com seus próprios olhos ou por meio de um amadurecimento espiritual. Sei que é um pouco complicado autorizar-me a escrever tudo isso, mas na verdade o que estou criticando são as crenças, e não as pessoas. Pessoas são entes que eu respeito, mas suas opiniões são criticáveis. E religião não me parece ser algo assim tão passível de respeito ou indiferença. Não sinto que eu deva ser indiferente com assuntos relacionados à espiritualidade, religião ou moral religiosa. É justamente as questões religiosas que mais incitam a minha indignação, e as crenças religiosas ou espirituais são as que mais me causam indignação.
Não consigo ser indiferente à pequenez de visão que vejo quase todos ao meu redor. Eu mesmo não sei ainda qual é a saída ou resposta exata para muitas coisas, e nem portanto fico escolhendo explicações de mundo à toa para realidades que considero tão importantes. Creio que a humildade de reconhecer que não se sabe é um valor muito pouco cultivado hoje. Parece pecado dizer ou manifestar de alguma forma que não se sente o mesmo que os outros, ou que não se crê naquilo que os outros crêem. A necessidade de manter relações parece ser um fator predominante nos meios sociais. Talvez isso seja uma característica dos brasileiros talvez esteja na sociedade como um todo, não sei. É como se visse as pessoas cobertas com máscaras, e minha indignação maior é acharem que tudo está bem. A ignorância, strictu sensu, que significa o desconhecimento de algo, parece imperar para muitos. Parece que poucos tiveram a oportunidade de construir do zero sua relação com a transcendência. Essa relação não é imaculada. Ela é manchada por tantas fontes quanto são as religiões e as ideologias que não constroem. Não me intriga que as pessoas sejam ignorantes, pois eu mesmo ignoro muitas coisas. Não estou escrevendo para dar respostas, mas principalmente para fazer perguntas. Existe um provérbio árabe que caberia bem nesse caso aqui:
“Aquele que não sabe e não sabe que não sabe. É um tolo. Evita-o.
Aquele que não sabe e sabe que não sabe. É um humilde. Instrua-o.
Aquele que sabe e não sabe que sabe. Está dormindo. Desperta-o.
Aquele que sabe e sabe que sabe. É um sábio.
Siga-o”.
O fato é que discordo justamente da primeira frase, à qual me sinto convidado a explicar: é justamente sobre o que não sabe e não sabe que não sabe é que tenho uma preocupação maior. E o pior não é que eles ignorem por total o que não sabem. Por vezes até acham que sabem, mas sabem somente até onde seu crescimento global os permitiu.
Buscar a Deus por si mesmo
Postado por Adilson Zabiela às 18:05
É necessário devolver ao homem a sua condição humana, de crescimento, de conhecimento de si, de busca de idéias e princípios que abram sua mente, e não que o tolham e o deixam vegetando, mas não vivendo. Nesse sentido creio que há muito trabalho a se fazer no combate à prisão que muitas religiões incutem ao homem.
Por que há sempre a tendência de que se acumule e traga sempre mais pessoas para uma determinada igreja ou filosofia de vida? Não estaria aí uma tentativa de poder que vai além do respeito à liberdade do homem? Por que só me sinto bem se estiver sempre fazendo e participando de determinado grupo? Eu mesmo não quero que minhas palavras e meus pensamentos tomem forma de instituição; só faço o que faço, só escrevo o que escrevo por ter me desvinculado de qualquer obrigação ideológica, fosse ela religiosa ou política, e admiraria se, aqueles que por acaso quisessem se dizer meus “discípulos”, não fizessem nada mais do que perceber por si só a verdade sobre as coisas e se abrisse a essa verdade assim como eu me abri. Pois me parece que institucionalizar demais certas crenças e estipular muitas regras vai contra o princípio do crescimento da pessoa humana.
Não creio que o próprio Jesus tenha pensado de maneira muito diferente, e até suponho que não há tantos problemas com a Bíblia conforme outrora cheguei a pensar. O que me parece, entretanto, é que muito do que se viu ou mesmo se disse em outras épocas foi destorcido por razões ideológicas ou políticas. Queria Cristo de fato seguidores? Ele queria que seguissem a Ele ou queria que cada um fizesse a sua trajetória de crescimento da melhor maneira possível para si mesmo tanto quanto Cristo o fez a si? Já citei outrora e volto a citar novamente: a meu ver Cristo queria que cada um buscasse no melhor de si o caminho para Deus. E se todos fizessem da mesma forma como ele fez, possivelmente alcançariam o que buscam. Ele mesmo deixou isso claro em suas palavras “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao pai senão por mim.” Isso pode ser interpretado da seguinte maneira: Se formos tão autênticos quanto o foi Jesus, e se fôssemos tão persistentes na busca de Deus como foi Jesus possivelmente nossas chances de chegar a conhecer a Deus serão imensas. Guarde-se aqui o devido cuidado de remeter-se a Deus dentro de um devido cuidado, para que não se tenha a Deus somente a partir de uma perspectiva antropomórfica.
Há diversas armadilhas que o homem criou a si próprio ao tentar fugir de outras. Parece que é impossível, ou pelo menos muito difícil sair de um determinado discurso, daquilo que não é dito mas que significa muito por trás. Parece que as religiões mesmas só vieram a partir uma da outra por meio de contradição, mas que essas contradições não invalidam totalmente as concepções anteriores. Parece existir um medo por trás da necessidade de contrapor-se à alguém ou alguma instituição, e esse mesmo medo ou limite fustigou muitas vezes também os filósofos, que nem sempre puderam se opor da maneira como julgavam mais adequadas contra outras filosofias ou até mesmo contra a religião dominante, fosse ela católica ou protestante. Parece difícil criar uma saída contra as religiões que não esteja eivada de mesmos princípios. Parece que não consigo, como autor, sair de mesma formação discursiva. É necessário algum corte que eu mesmo não sei onde dar. O medo me poda, parece. Parece haver por trás da minha própria vontade um medo e um sentimento de culpa que me tolhem de certa maneira, e ao mesmo tempo esse medo ou a contra-dependência a ele serve como mola propulsora daquilo que trago nessas palavras.
Sobre o limite das concepções humanas acerca do mundo
Postado por Adilson Zabiela às 17:59
Desconfio de primeira mão que o conhecimento humano é muito restrito e limitado àquilo que ele conhece apenas, não conseguindo abstrair muito longe comumente.
Admirei-me pois hoje ao pensar sobre o seguinte: no que se refere às perguntas que o homem se faz, ele tende a procurar respostas adequadas, verdadeiras ou certas. Pois bem: creio que vamos muitas vezes a extremos de raciocínios limitados ou tautológicos porque a premissa da pergunta já está equivocada. Por exemplo: se pergunto a alguém se ele crê em Deus, já estou partindo de uma concepção limitada de mundo, e de um recorte limitado do mesmo. Só posso conceber essa pergunta se partir da crença no monoteísmo, sendo que se eu estivesse num contexto politeísta essa pergunta poderia ser no mínimo absurda.
Continuo achando um absurdo o que dizem a respeito de Deus. Que o Deus é o mesmo pra todos, que devemos crer num só Deus, coisa e tal. Não percebem as pessoas o desejo de manipulação que há por trás desse discurso todo? É uma atribuição de poder eterna a um Deus sem que ao menos o indivíduo tenha o direito de se contrapor ao que ouve e vê. É um medo que se instaura: o medo de questionar, pelo medo do castigo. É como que uma crença generalizada de que Deus castiga, ou de que a natureza castiga, ou que, quem não tem fé acaba não alcançando o que deseja. Seria ridículo a mim achar que tenho que crer naquilo que não compreendo. Posso esperar aprofundar o meu conhecimento e minha relação para com o que não conheço, mas não significa que eu tenho que crer. A força da fé vem de uma fonte que me é estranha, e só uma razão seria o suficiente para que eu tivesse fé: a necessidade de sobrevivência. Essa razão, por si só, é a mais básica de todas, e não deveria, a meu ver, ser a mola propulsora da manifestação de fé que se julgue digna de louvor. Seria antes uma demonstração de fé legitimamente pura e ingênua, baseada no medo do desconhecido. Por que basear pois minha esperança e fé naquilo que não conheço? Não seria mais sensato desenvolver-se no seu lado humano e desafiar mais os limites daquilo que se crê? Provar ou não existência de Deus não estaria pois como uma prioridade para ninguém, uma vez que não me parece razoável querer justificar com argumentos falhos aquilo que não é tangível. Seria debater-se contra uma onda de impossibilidades de certeza, enquanto que o principal não é chegar a essa conclusão. Parece que o medo ainda é o motor para que o homem continue crendo em tantas baboseiras. Parece tão difícil aceitar a realidade que se faz necessário criar um monte de teorias malucas que justifiquem as fraquezas humanas.









